Agnus Dei (IV)
Trancado no banheiro, completamente insano e tomado de um prazer que até então não imaginava existir, gozei três vezes quase rasgando as páginas que movia freneticamente com a mão esquerda, estando a outra trabalhando em velocidade incrível logo abaixo.
Minha esposa havia estranhado a maneira e a expressão com que eu entrara em casa, provavelmente relacionando esta situação com a da noite anterior, onde ela conhecera um marido completamente diferente. Esquivei-me dizendo que estava com dor de barriga mas que agora já estava mais calmo. Beijei-lhe a face e menti que a amava, mentira porque naquela hora eu não queria saber de mulher nenhuma, só de minhas santas figuras.
Encurtando a história, passei cerca de um ano comprando centenas de revistas religiosas e estocando em um fundo falso que preparei no meu armário do quarto. No começo eram apenas as imagens de Nossa Senhora que me excitavam mas com o passar do tempo meu desejo foi se expandindo a anjinhos barrocos e toda a corte celeste. Cheguei a dar pistas de meus interesses várias vezes, como no dia em que minha esposa resolvia um jogo de palavras cruzadas e, como pensasse em voz alta, repetindo as dicas que o jogo dava, lancei a resposta imediatamente. Não seria nada surpreendente, não fosse a especificidade da resposta: Nossa Senhora da Santa Cabeça, com pouquíssimas igrejas existentes no Brasil e muito pouco conhecida. (...)
Escrito por Sr. Torremolinos às 18h15
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Só não passeie pela Liberdade
Tem várias coisas que eu penso que poderia fazer para me divertir mais nessa vida. Uma delas, que um dia ainda coloco em prática, é fazer um curso de tatuagem. Não pretendo desenhar um dragão ou fadinha sequer, vou me especializar em ideogramas. A mocinha de pele alva chega e vê as paredes forradas com símbolos belos e misteriosos, escolhe aquele que traz a legenda "Luz", paga adiantado e sai feliz, eternamente maculada com um "fagocita, meu amor" na nuca (não estranhe a discrepância entre o tamanho de palavra e expressão, ideogramas enganam).

Outras opções com as respectivas legendas de meu catálogo:
"Bois da Arábia" (Caminho de Luz)
"Só no sapatinho" (Amor)
"Bioestatística" (Tranqüilidade)
"Claustro" (Mãe Terra)
"Perfídia" (Ohm)
"Anão maneta" (Fraternidade)
Escrito por Sr. Torremolinos às 18h01
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