
Agnus Dei (III)
No canto esquerdo da prateleira cheia de ofensas à moral e aos bons costumes, caída num cantinho escuro e empoeirado provavelmente por acidente e não por desígnio do Dutra, estava uma revista com uma bela imagem de Nossa Senhora na capa. Sujei minhas calças no exato momento em que a vi. Tomado por um calor violento e sem perceber mais nada a minha volta, avancei na prateleira como um cão avança num bife e extraí de seu cantinho sagrado a revista de pequeno formato e capa empoeirada. Seu Dutra, que estava ocupado com outro velho falando de futebol, com certeza deve ter se assustado com aquela figura transmutada com a qual ele não estava acostumado, suando e ofegando enquanto lhe entregava a miséria que custara minha relíquia. Percorri o resto do caminho para casa com passos rápidos e um tanto desvairado, sem pensar muito na ligação insólita entre a imagem de Nossa Senhora e o gozo que a esta altura me escorria pelas pernas. Entrei sem cumprimentar ninguém e corri para o banheiro. Realmente não era revista de sacanagem disfarçada, era uma belíssima revista religiosa (de meu ponto de vista, acredito, porque na realidade é uma revista modesta, absolutamente desinteressante para quem não sabe apreciar como eu as belas figuras religiosas que contém) que até hoje ocupa lugar privilegiado em minha enorme coleção que de uns anos para cá, admito, tem sido pouco usada por motivos que serão explicitados adiante.(...)
Escrito por Sr. Torremolinos às 15h48
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Escrito por Sr. Torremolinos às 15h41
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Agnus Dei (II)
Cheguei em casa um tanto perturbado pela cena que protagonizara há pouco. Comi quieto e fui direto para o banho e de lá para a cama, o que não passou despercebido pela minha esposa e minhas duas filhas, que engoliram uma desculpa de cansaço da qual a esposa comprovou a falsidade em menos de duas horas, quando, ao se deitar, foi surpreendida por minhas carícias diretas e curtas seguidas por um coito violento que, apesar de coalhado de obscenidades cantadas por mim em voz que não duvido ter sido ouvida por minhas filhas, pareceu tê-la agradado muito.
No dia seguinte, ao passar em frente à banca do Dutra onde eu nunca parava mesmo a essa hora, senti-me extremamente tentado a voltar lá no final da tarde e comprar todas aquelas revistas, sem qualquer pudor. Afinal de contas eu não devia nada para ninguém e o dinheiro era meu. Mas quem dera apenas eu pudesse acreditar que possuía a capacidade de afirmar isso em meu íntimo!
Senti-me um idiota adolescente durante o dia inteiro, até que chegou a hora de pegar meu jornal e ir para casa. Cumprimentei o Dutra um tanto envergonhado, crendo ter percebido um olhar de reprovação que sem qualquer dúvida era coisa da minha cabeça, hoje vejo assim. Peguei o jornal e fingi que lia as manchetes da primeira página enquanto olhava de rabo de olho a fatídica prateleira. Percorri todas as capas do dia anterior com a mesma excitação, apesar da distância, e então vi o que jamais deveria ter visto em toda minha vida, se bem que quando essas coisas tem que acontecer, acontecem, de um jeito ou de outro. (continua)
Escrito por Sr. Torremolinos às 18h08
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Preparando Sardinhas
1. Insira a ponta da faca na cavidade anal do peixe e faça um corte profundo até o ponto inferior de intersecção das guelras.
2. Retire todo o conteúdo abdominal de forma a não restarem quaisquer vestígios de vísceras, o que pode interferir no sabor.
3. Raspe o dorso do animal dos dois lados, eliminando as pequenas escamas que lhe recobrem.
4. Corte a cabeça.
5. Faça um corte de média profundidade ao redor da área anterior ao rabo, cuidando para não separá-lo completamente do corpo.
6. Finalmente, segure o peixe pela área onde foi feita a extirpação da cabeça e, com a outra mão, puxe fortemente pelo rabo. A espinha dorsal do animal deve sair completa, deixando-o pronto para o preparo.
Escrito por Sr. Torremolinos às 17h55
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| segunda-feira, 31 de maio de 2004 |
Agnus Dei O negócio começou quando eu tinha uns 30 anos, mais ou menos. Estava voltando do meu trabalho de homem decente para minha casa decente quando resolvi parar em uma banca para pegar o jornal do dia, que eu sempre lia no comecinho da noite, sentado na privada, enquanto a minha esposa preparava o jantar. Naquela tarde, não sei porque, antes de pegar o jornal, entregar o trocado que eu já deixava preparado para o Dutra e ir embora sem prestar atenção em qualquer outro produto da banca, que era o que eu fazia há cerca de sete anos, resolvi dar uma olhada na prateleira de revistas pornográficas. Há muito tempo eu não abria uma revista dessas nem apresentava qualquer interesse por elas, só que naquele dia devorei aquela prateleira com os olhos. Havia coisas bizarras lá. Mulheres com animais, orifícios anais que eu nem imaginava que existissem daquele tamanho (ainda mais expostos nas capas coloridas que naquela época vinham sem nenhuma cobertura para privar os pivetes das fantasias perfeitas para suas horas de banheiro) e muitas outras coisas que foram me levando a um estado de excitação que me envergonhou perante o Dutra, que provavelmente estranhava o fato daquele senhor de poucas palavras que gastava não mais que trinta segundos lá estar a cerca de quinze minutos escrutinando capa por capa das revistas mais “sujas” com uma desagradável protuberância que não era possível dissimular dentro da calça social de tecido frágil. Peguei o jornal de sempre, deixei as poucas moedas em cima de um balcãozinho e saí rápido, sem olhar para trás. (continua)
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Escrito por Sr. Torremolinos às 13h40
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| sexta-feira, 28 de maio de 2004 |
Na toada (cenário: bota empoeirada, mistura de calabresa e bosta de boi no ar, parque de diversões, mulher de calça tolada e chapéu com pingente de Nossa Senhora. Por trás da voz tonitruante e ecoada do locutor: Cowbo-oy/cowboy de rodeio...)
"O homem faz coisas que até Deus duvida/ Já faz muito tempo que eu estou nesta vida/ Rodeio,cachaça,muié,viola e briga/ Porta de buteco e casa de rapariga/ Garrafa destampada e muié de perna pra riba!"
"Meu quarto de milha é preto/ Meu manga larga é baio/ Quando eu entro no rodeio/ Dificilmente eu saio/ Dinheiro eu ganho bastante/ Trago dentro de um balaio/ Tenho loira de namorada/ E morena de quebra gaio." |
Escrito por Sr. Torremolinos às 13h40
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| quinta-feira, 27 de maio de 2004 |
Seria impressão ou já ouço, ainda distante e se aproximando sem pressa, o ranger de um carro de boi?
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Escrito por Sr. Torremolinos às 13h39
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Bom indicador econômico de um país é sua capacidade de criar Jorginhos Guinle
Em colóquio animado com o homem cujo pulmão lembra o Tony Ramos, afirmava este que vos fala que nosso país é um grande queimador de herança. Pulmão fez-me ver o quão sofisticado é este modo de vida, evocando a célebre figura que perdemos há pouco e afirmando que apenas o Brasil era capaz de criar algo similar.  Acedi à primeira parte de seu argumento, fazendo-lhe notar, no entanto, que a proporção de Jorginhos Guinle da Malásia, segundo dados do respeitado IMPC (Instituto Malaio das Pessoas e das Coisas), era de 8 para 1, com relação ao Brasil. Ante sua estupefação, ofereci outros dados sobre o país das torres que outrora me emprestaram a alcunha e a proporção de Jorginhos Guinle em cada um dos Tigres Asiáticos, o que só fez consolidar a validade de nosso conceito para a análise de desenvolvimento das nações.
Diferença importante é que lá o governo não se comporta como seus cidadãos, como deve ser em qualquer Estado de governo sério.
Escrito por Sr. Torremolinos às 13h39
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| segunda-feira, 24 de maio de 2004 |
I conspiração
É incrível a necessidade que as pessoas têm de sentir que estão sendo traídas, ameaçadas e enganadas o tempo todo.
Palestras (isso aqui é ótimo), livros e textos da internet se espalham como herpes, mostrando que tudo que você aprendeu, tudo que o 'sistema' e aquela tia dulcíssima (não, não era o nome dela...) da terceira série te ensinaram, não passam de lavagem cerebral da elite-capitalista-branca-ocidental-que-quer-transformar-todos-em vermes-subservientes.
Todo mundo quer reinventar a roda, mudar as origens do caralho a quatro, 'desnudar' (argh!) a falácia norte-americana desenvolvida para desviar a atenção do escândalo da embalagem de Corn Flakes que traz dois guaxinins estuprando uma marmota ('- Aqui, ó! Dá pra ver direitinho. Aqui é o guaxinim, aqui é o pipi dele...').
Eu não sei, mas ou a vida dessas pessoas é muito, muito sem graça, ou é mais fácil se entreter com os problemas do mundo que com os próprios.
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Escrito por Sr. Torremolinos às 13h38
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| sexta-feira, 23 de abril de 2004 |
Muito me agradaria neste dia encontrar um trabalho científico, em publicação de renome internacional, com o título: "Administração de dose sub-sedativa de inibidor seletivo de recaptação de serotonina (ISRS) e a experiência do divino."
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Escrito por Sr. Torremolinos às 13h38
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Da contribuição d´Os Trapalhões para o léxico nacional
Poupança não designa bunda. Designa, mas não serve. Quando alguém compreenderia a voluptuosidade de certa dama se ouvisse: - Ela tem uma poupança! (mostrando com as mãos)?
Escrito por Sr. Torremolinos às 13h37
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As palavras e as coisas - Cidadania e comunidade são palavras marrons, levemente avermelhadas e bastante suadas. Ubiratan é nome de dirigente sindical ou presidente de ONG. Turíbulo é um quartinho bem pequeno, geralmente desprovido de cama e banheiro.
Escrito por Sr. Torremolinos às 13h37
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Bella Vitta Eram casados, o Gilmar e a Fifi, há 35 anos. Um dia a mulher veio com umas de começar a esquecer as coisas. Ia falando e assim, no meio, mudava de história, cortava e ajuntava. O Gilmar, quando bebia umas, ficava de saco cheio da mulher e saía beber mais, mas ele amava a Fifi. Um dia ela acordou e não se lembrava de nada, nadinha mesmo, nem da embalagem de maizena. Nos primeiros dias o homem não sabia o que fazer, tentou falar com carinho, disse que era frescura e pra ela acabar logo com a brincadeira. Nada. Um dia, quando a mulher acordou e perguntou quem era ele, ainda deitados os dois na cama de sempre, o homem deu-lhe um belo dum tapa na cara. Ela não disse nada e começou a chorar baixinho, tava sofrendo a coitada, ele só falou: Gilmar, teu marido! A partir daí, todas as manhãs o Gilmar respondia a pergunta da mulher do mesmo jeito. Como talvez restasse à coitada um resto de mente, aprendeu a responder, sem alma: Gilmar, meu marido. Não sem antes tomar o tapa diário. O Gilmar ficou feliz e orgulhoso de si, fizera avanços na cura da mulher! A Fifi já não fazia a mínima idéia do que significava ‘Gilmar, meu marido’.
Escrito por Sr. Torremolinos às 13h37
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| sexta-feira, 16 de abril de 2004 |
Karma
Um dos piores fardos que podem recair sobre um pobre como eu é o bom gosto, com o agravante de ser, no meu caso, apuradíssimo. Quisera ser ignorante das maravilhas espalhadas por cada cantinho desse mundão, mas não, quis o destino - esse arlequim safado - que eu conhecesse, apreciasse e me contorcesse em cólicas pela privação do belo e do elegante, da Mercedes e do tartufo bianco, condenado às cópias baratas e ao meu VW 1600 (que aprendi a amar, Ó dor! que aprendi a amar...)
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Escrito por Sr. Torremolinos às 13h36
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| segunda-feira, 5 de abril de 2004 |
Eeeh, que vontade!
De tempos em tempos o Brasil aparece com uma, tentando pagar de gente grande no cenário internacional. Agora o "Washington Post" publicou um artigo onde afirma que o Brasil impediu inspeções nucleares na base de enriquecimento (???) de Urânio em Resende, no RJ. Não sei o que surpreende mais, a atitude do governo (anunciada por diplomatas do país) de fechar uma instalação, ou qualquer instalação que de nuclear não deve ter mais que três máquinas de raio-X, ou os EUA se preocuparem realmente com isso.
Nós sofremos de Síndrome de café com leite, não aguentamos o tranco mas queremos brincar de qualquer jeito. Hora dessas dá coisa errada, aí eu quero ver...
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Escrito por Sr. Torremolinos às 13h36
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Diga: Qual é o seu nome?
Diga: Qual é a sua cor favorita?
Escrito por Sr. Torremolinos às 13h20
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